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Profissão técnico de tênis


As pessoas estão acostumados a ver técnicos de tênis pelo mundo e pensam, esse é o trabalho dos sonhos de qualquer ser humano. Será?

Tentando desmistificar o que é ser essa pessoa tão importante para o jogador de tênis vou contar algumas coisas que sei. Hehehe

Não sei se vocês sabem mas os técnicos são normalmente contratados pelos próprios jogadores, na grande maioria das vezes por terem uma sintonia ou amizade ou por serem muito bons.

No caso dos tops é um pouco diferente são os agentes que contratam com a autorização dos jogadores. Logicamente que são eles que pedem para ir atrás de fulano ou beltrano.

Muitos me perguntam como é o acerto. Isso varia como em qualquer empresa, tem jogadores que pagam bem, outros que pagam mal, e alguns que não pagam, isso mesmo. Mas deixa pra lá.

Esses valores variam muito, todos os técnicos ganham um salário e porcentagem dos ganhos do jogador. Normalmente quanto maior o salário menor a porcentagem que se dá. Salários variam muito, ouvi dizer que técnicos do calibre do Gilbert ganhavam 1 milhão de dólares por ano, nada mal né? Outros mais humildes podem variar de 1000, 2000 por mês. A porcentagem de 10 a 20% mais que isso ninguém paga.

O grande problema do técnico que não trabalha com um jogador top 10, 20 é que no nosso esporte 99% dos jogadores não assinam contrato, isso nunca se fez, com isso os 2, tanto jogador como técnico tem a possibilidade de parar com a parceria quando bem entenderem. Por um lado é bom, que o jogador não precisa ficar com uma pessoa que ele não confia mais ou brigou ou por outro motivo, (tenho botar um adendo aqui, as desculpas são as melhores, até difícil de acreditar) lá embaixo vou colocar as top, mas olhando de fora e com inteligência é uma grande sacanagem com os técnicos.

Para ser técnico de tênis você tem que abdicar de muitas cosias, viajar umas 30 semanas por ano, ver muito pouco sua família, agüentar todos os caprichos de um jogador e não ter outra entrada enquanto estiver trabalhando. Você depende exclusivamente do seu jogador. E qual é a estabilidade que se tem?

Nenhuma

Na maioria esmagadora das vezes os jogador chega pro técnico depois de um dia de fúria e diz: valeu, não quero mais trabalhar com você, esta semana te pago e a partir da próxima você se vira.

Calma gente, não é todo mundo assim,mas a grande maioria.

O que era uma grande amizade e uma grande parceria de sucesso até aquele momento vira quase que um divorcio. Fica difícil que as duas partes tenham calma e dignidade para não sacanear o cara que tanto fez por você .

Por sorte tive no profissional poucos e bons técnicos, Marcelo Meyer, Pardal e Enrique Perez, nos três casos, acabamos numa boa e mantenho muito bom relacionamento. O Marcelo tinha sua academia de tênis e ele não viajava comigo o tempo inteiro, o Ricardo ao terminar comigo começou a trabalhar com o Rios e o “bebe” também foi tranqüilo, como parei de jogar antes do final do ano acertei continuei pagando até ele conseguir outro profissional para trabalhar ou o fim do ano. Pela minha experiência acho isso o mais justo, quando se contrata um técnico tem que se colocar uma data para renegociação e essa data preferivelmente é em dezembro. Se o jogador manda embora o técnico antes que pague até o final do ano a não ser que ele tenha outro jogador. ESSA É MINHA OPINIÃO.

No circuito esse assunto vem dividindo muito os jogadores e técnicos. A falta de estabilidade faz com que alguns bons profissionais fiquem em casa trabalhando com coisas mais seguras do que viajar com um top 100 por alguns meses e ser mandado embora. Com isso evitam de ficar desempregados e sem um salário por um bom tempo.



Desculpas esfarrapadas para demitir um técnico

1 Você é muito duro, exige demais de mim. “ o cara contrata o técnico para exigir dele e algum tempo depois ele dá essa desculpinha”

2 O cara gasta demais nos almoços e jantares “ os tenistas pagam as comidas dos técnicos”

3 Você está ganhando muito “ vale lembrar que o técnico ganha 10% do que o jogador ganha, então imaginem o quanto ele ganha”

4 Você me faz viajar demais. Quero alguém que me entenda. “ sem comentários, conheço variosssssss desses”

5, O jogador acaba querendo mais um amigo do que um treinador e quando o treinador se posiciona como tal, o jogador não entende..acha que é um problema pessoal

6 Perdeu, coloca a culpa no treinador... “ É mais fácil colocar a culpa no treinador do que assumir sua incapacidade e fraqueza ou ruindade


O que poso dizer é.... Tomem cuidado e deixem as coisas bem claras no começo da relação. Depois que começa fica difícil de mudar valores, porcentagens ou semanas trabalhadas. “O combinado nunca é caro”

Escrito por Fernando Meligeni às 09h43 envie esta mensagem

Dia do noivo


Mudando um pouco o que escrevo no blog normalmente e como gosto de falar de historias que acontecem comigo não poderia deixar de contar meu grande dia de noivo ontem.

Isso mesmo, para quem não sabe vou me casar no fim do ano, mais precisamente em dezembro.


Quem já teve o prazer sabe a quantidade de coisas que um noivo tem que fazer antes do casamento.

Para ser bem sincero muitas delas eu nem sabia que existiam e estão sendo uma grande novidade. Preencher meu dia com visita ao juiz de paz, a decoração da igreja, negociar com um caricaturista, ajudar a escolher os vestidos das daminhas de honra, escolher meu pajem, conversar com o calígrafo, curso de noivo e principalmente a prova da roupa.

Ufa, isso é só o começo....

Ontem fui ver minha roupa, tenho que admitir que fiquei bem envergonhado.
Para começar a senhora me perguntou se eu tinha alguma preferência, quase que disse: Tenho sim senhora; sapatenis, shorts,camiseta de jogo e boné pra trás, mas como sei que sei que não ia cair bem deixei passar a pergunta e disse que não. Que preferia ver como ficava no corpo

Logo depois veio a segunda, que tipo de tecido você está pensando?

- Ummm, tive que sair com uma contra pergunta, quais você tem na casa? RS



Depois de colocar e tirar uns 20 fraques, meio fraques,fraquetes,túnicas e mais um monte de nome que não tenho idéia, consegui chegar num veredicto. Lógico que não vou contar, até porque a Carol (minha noiva) quer porque quer saber muito como vou entrar na igreja. Só posso dizer que vou ficar um arraso.

Sei que esta não é uma historia de jogos ou de tênis, mas tenho certeza que também é uma grande historia. Como dizem meus amigos “o último dos moicanos” vai casar. Queria compartir com vocês.


Outra passagem engraçada na prova de ontem foi quando uma das atendentes veio toda feliz e logicamente achando que eu sabia TUDO de moda e roupa de noivo me perguntou:

Você quer tua roupa com ou sem strass ( assim que escreve)? Imagino a minha cara nesse momento para mocinha. Quase que perguntei pra ela se era possível sem nenhum stress.

Mas como nessas horas é horrível mostrar que não entendeu, fiz aquela cara de “conteúdo” e fui enrolando até entender o que era.

Bom, hoje passei rapidinho para contar um pouco mais das minhas historias e essa tinha que estar no blog porque é um momento maravilhoso que estou vivendo na minha vida.


Espero que tenham gostado





Escrito por Fernando Meligeni às 10h14 envie esta mensagem

O grande desafio: Chupeta, ídolo local contra Meligeni se enfrentam no Acre



Quando escrevi que ia para o Acre, as pessoas me fizeram varias perguntas. O que eu ia fazer em um lugar tão longe, se tinha tênis por lá e até me perguntaram se o Acre realmente existia.

Eu também não tinha a menor idéia se tinha tênis por lá

Rapidamente me surpreendi, passei dois dias incríveis em Rio Branco, capital do Acre

É verdade que não é nada fácil, muito menos rápido chegar e voltar de lá.

Me senti outra vez no circuito, naquelas viagens intermináveis, peguei um vôo até Brasília, uma espera de duas horas e depois mais 3 horas de vôo para Rio Branco. A volta o vôo é de madrugada, você sai a 1h30 e chega em São Paulo as 9 da manha horário local (Acre tem 2 horas de fuso com São Paulo).

Quando saí do avião percebi o que tinha pela frente, um calor insuportável, imaginem um dia quente na sua cidade e pode multiplicar por 1000. É mais ou mesmo essa conta.

Me impressionou o carinho das pessoas, um povo super hospitaleiro, que te tratam com carinho o tempo inteiro. Falando em carinho, isso é uma coisa que só tenho a agradecer, nesses eventos que faço pelo Brasil sou muito bem tratado e principalmente tenho entendido muito os problemas do nosso tênis nesses lugares.

Falando nisso......

Até pouco tempo o Tênis em Rio Branco/AC se resumia a apenas 2 quadras de cimento mal cuidadas e de acesso restrito para os atletas, os jogadores também frequentemente se machucavam devido as irregularidades do piso. O acesso restrito e difícil era pelo fato das quadras fazerem parte de patrimônio dos militares, mesmo assim existia cerca de 80 atletas no Estado. Além destas quadras, existia apenas quadras em uma cidade Boliviana chamada Cobiha, que fica vizinha a cidade Brasileira chamada Brasiléia, bastante distante, cerca de 300 km e de impossível acesso para a prática regular como é o tênis, existem ainda uma ou duas quadras, mas são em residências e de uso particular.

O tênis no estado do Acre era limitado a isso.

Quando o Allan me ligou e me convidou para ir até lá jogar uma exibição com o Marcio Carlsson fiquei imaginando o que eles pretendiam com isso

Como eles mesmo disseram, eles construíram uma academia linda com 2 quadras e tem o horário completamente lotado, precisam e pensam em fazer mais duas quadras. Ironia, enquanto aqui em São Paulo varias academias estão fechando lá o tênis está bombando.

Hoje depois de conviver com eles tenho a certeza que querem revolucionar o tênis no estado, acabam de fazer um torneio para mais de 100 jogadores, colocaram uma premiação de 2.000 reais ao campeão da primeira classe e sonham em montar uma federação para organizar os próximos torneios e e dar mais oportunidade aos futuros jovens.

Não duvido nem um pouco agora.

O fato mais engraçado da viagem foi conhecer uma figura emblemática da cidade. Sempre temos a vontade de conhecer pessoas novas e com algo a acrescentar nas nossas vidas.

Assim que chegamos a cidade inteira me perguntava, você conhece o “chupeta” ?

Em todos os lugares essa pergunta me perseguia, no hotel, no restaurante, na rua,etc.....

Começou como pegador de bola, idolatrado por todos, conhecido pela imprensa, ( vale dizer que fui a quatro entrevista e em todas elas me perguntaram se eu o conhecia e se ia agüentar o jogo dele)

Quando o conheci minhas primeiras palavras para ele foram, Cara você é o cara mais importante do tênis aqui, depois vou pegar um autografo seu.
Ele com uma cara tímida deu uma boa risada e me disse, cuidado, aqui em Rio Branco eu sou o melhor, tiveram que te trazer para tentar me desbancar. Sou imbatível nessas quadras


Cuidado eu to treinado.
Caímos na gargalhada.

Depois de jogar um set com o Marcio jogamos alguns games com o “chupeta” para nossa surpresa ele jogava muito bem mesmo, corria como poucas vezes vi alguém correr. Dava para ver na cara dele a alegria daquele momento, estava realizando um sonho.

Tinha me confidenciado que seu sonho era jogar contra um profissional para saber o seu verdadeiro nível.

Foi uma grande festa, casa cheia, pessoas curtindo o momento e os organizadores felizes. Fiquei me perguntando como um cara como o “chupeta” tinha aprendido jogar daquela maneira.


Saí de lá realizado, espero ter feito um bem ao tênis de lá. Que daqui a alguns anos a iniciativa do Roman, Narcisinho e Allan tenham seus frutos.

Obrigado Acre, foi um prazer.

Ah, antes de ir tenho mais uma coisa a dizer e aproveito para responder para o Felipe.

O Acre existe e é muito legal

* Aproveito para deixar um abraço a todos as pessoas que foram ao jogo e em especial a Marcus Yomura que me mandou este mail hoje.

Nome:
Marcus Vinicius Yomura
Cidade/Estado:
Rio Branco/Acre

Caro Fininho: Foi demais a sua apresentação aqui no Acre. Sou de SP e já tinha acompanhado uns jogos seus mas a sua presença em Rio Branco está dando novos rumos por aqui. Você mostrou o que é ser um ídolo pra todos nós. Que não basta ser um bom jogador. Que é preciso ter caráter, atitude, carisma, simplicidade. Foi muito nobre da sua parte mencionar o Chupeta. Realmente o cara é muito querido entre nós e é mais uma prova do que o esporte pode fazer na vida de uma pessoa. Ele vem de uma família muito humilde,não tem instrução e nunca saiu do Acre pra poder treinar e se aprimorar. Eu que já treinei muito aí em SP não consigo entender como um cara pode se desenvolver tanto num lugar como aqui e com tão poucos adversários. mais uma vez obrigado pela sua presença no Acre e saiba que nesse lugar tão remoto, vc conquistou mais uma legião de fãs. Valeu!!!

Escrito por Fernando Meligeni às 11h01 envie esta mensagem

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