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O que falar, o que dizer, só agradecer...

O que falar do dia de ontem

Escrevi o blog com todo meu coração, tive a ajuda na correção da Carol(minha esposa) e nem de perto imaginava o que aconteceu.

Mais de 40.000 pessoas entraram no blog ontem, quase 300 comentários. Muitos, mas muitos elogios recebidos. Alguns até maiores do que eu realmente mereço.

Não posso explicar o gratificante que é ser querido e aceitado por todos vocês.

Obrigado


Vocês podem imaginar a motivação que me deu o dia de ontem.

Tamanha foi ela que até marquei de treinar hoje com o Marcelo Melo, ele estava em transito aqui em São Paulo e me pediu para bater uma bola. Acordei cedo, bem antes do despertador tocar, tomei um banho cantarolando musicas do "Mana", grupo mexicano que me seguiu a carreira inteira, botei a roupa de treino e fui pra batalha. Fazia um tempinho que não trocava umas bolas com potencia e não podendo errar.

Foi gostoso, me senti um menino em quadra, ops, nem tanto. A velocidade das pernas já não são as mesmas, mas dá para enrolar legal ainda. Fiquei feliz em ver a evolução desse gigante. A “girafa” como o chamamos carinhosamente no circuito está muito mais maduro, sólido e voleando muito.

Não é a toa que os resultados estão aparecendo. Ele veio para ficar no top

Entre uma direita e outra me contou um historinha engraçada.

Conta ele que ficou no clube no Australian Open até o último jogo para ver um jogo imperdível, Safin vs Bagdhatis, aqueles jogos que os jogadores sabem que vai ser bom.

Quando ele entrou no vestiário depois que o jogo acabou começa a escutar uma gritaria, era o Safin e o Hernan Gumy( seu técnico) o mesmo que treinou o Guga por um tempo. Hernan tentando acalmar a fera, ele dizia que para voltar a ser top tinha que meter a mão na bola e não pensar. Como ele fazia na época que era numero 1 do mundo. Que tênis era esporte para cara corajoso e não “cagão”

As coisas do Marcelo e André estavam do lado de onde vinha o problema.

Ele me contava hoje de manha com um sorriso no rosto... “Fino não tínhamos coragem de entrar, ficamos esperando lá fora”

Escutaram um estrondo lá dentro e viram o Safin sair para tomar banho.

Entraram e foram falar com o Gumy. Ele sempre faz isso? Sempre fica bravo assim quando perde?

Gumy olhou para eles e disse, ouviram o barulho? Foi o terceiro celular do ano que voou para a parede.




Escrito por Fernando Meligeni às 14h36 envie esta mensagem

Brasil ou Argentina? O dia em que fui convidado para defender a Argentina na Copa Davis

Falar de nacionalidade para mim sempre foi complicado. Todos sabem o que passei para ser respeitado como brasileiro.

Não tinha coisa que me deixava mais irado do que “O argentino naturalizado brasileiro vence a segunda rodada do torneio tal...”

Demorei muitos anos para poder provar o quanto queria jogar pelo Brasil.

Muitos me questionavam se era porque aqui no Brasil podia ganhar mais dinheiro, se porque lá não me queriam e mais um monte de coisas.

Minha decisão já tinha sido feita aos 18 anos quando voltei da Argentina onde treinei por quase 3 anos seguidos.

Minha cabeça estava certa da minha decisão e até meus pais já tinham se acostumado com a idéia de ter um filho brasileiro.

Só me faltava uma coisa, jogar a copa Davis pelo Brasil.

A decisão já estava tomada mas não tinha tido a oportunidade de mostrar as pessoas o meu lado patriota.



Inesperadamente surge uma pessoa que na minha infância e ainda hoje idolatro como tenista e seu caráter. Aparece do nada, me chama para uma conversa e me convida para jogar copa Davis pela Argentina.

Isso mesmo. Estavam me convidando para jogar Davis pela Argentina.

Naquele momento podia representar os dois países, a Argentina por ter nascido lá e o Brasil por estar mais de 5 anos morando no país. O que decidisse seria para sempre, sem volta.

Veio o incrível Guillermo Vilas então técnico do time Argentino e começa a me sondar em pleno Roland Garros com essa possibilidade.

Lembro de suas palavras, Tche flaco que te parece jugar lá Davis por Argentina? Se que estas radicado en Brasil hace mucho tiempo pero tengo intenciones de llamarte.

Não preciso dizer que gelei, meu grande ídolo de infância me chamando para a Davis, a competição mais importante para um tenista. alem de ser convidado por ele, o teria como técnico . Meu deus. Que mais podia pedir.

Não vou dizer que não balançou nada. Mentiroso seria.

Algo no meu corpo, minha mente e principalmente no meu coração rapidamente me disseram para não aceitar.

Algo me dizia que deixava de ser Argentino para ser Brasileiro nesse momento.

Na mesma hora que recebi a noticia agradeci, fui rápido e claro. Olhei para ele e disse.

“Willi, no se como decirte pero tengo que no aceptar tu invitacion, voy a jugar por Brasil. Es ahi que mi corazon está. No se cuando pero por Brasil entrare en la cancha.

Cruzei o Vilas mais algumas vezes no circuito e nunca tínhamos falado do assunto, desta vez que ele veio ao Brasil e nos enfrentamos no Grand Champions, sentamos e relembramos o episodio.

Fiquei emocionado com suas palavras, ele me disse que admirava meu caráter e decisão.Aquele dia, não tínhamos falado de possibilidades, grana ou companheiros, ele me lembrou que eu pensei com o coração e decidi. Ele terminou dizendo.

Você acertou, se tornou um jogador respeitado aqui e lá. Sempre que decidimos com o coração temos 99% de chance de acertar e se erramos saímos do episodio de pé, porque sabemos que era o certo a se fazer.

Você acertou. Ele concluiu.


Hoje quando olho para trás tenho certeza absoluta que fiz a escolha certa.

Agradeço o convite do Vilas e ao meu coração por ter me ajudado na escolha.

Escrito por Fernando Meligeni às 20h00 envie esta mensagem

Histórias do tênis Argentino. Não é tão difícil nem feio copiar as coisas boas.


Semana de Buenos Aires no Tour.

Vocês podem imaginar o que era jogar na Argentina para mim

Não poso dizer nem de perto que era mal tratado, sempre fui olhado com muito carinho. Todos no torneio me faziam sentir em casa.

Torneio que tem um glamour digno de campeonato de primeira linha. Quase todos os dias casa cheia, os torcedores conhecem a grande maioria dos jogadores e não importando se a quadra tem argentino ou não sempre se vê muita gente vendo os jogos. Informações por todos os lados, quadras em ótimas condições de jogo. A grande maioria dos presentes jogam ou jogaram tênis. Lá, você encontra todos os ex jogadores, técnicos e fanáticos. Um dia conversando com os organizadores que agora abaixo vou falar deles, eles me diziam, quanto mais jogadores que fizeram a historia do nosso país vierem melhor, o torneio vai ser mais respeitado e nosso tênis mais sólido. Lição para se aprender aqui no nosso querido país.

O campeonato é feito por dois grandes ex jogadores. Martin Jaite e Cristian Miniussi. Jaite dispensa apresentações, top 10 por um bom tempo, jogador extremamente inteligente na quadra. Depois de Vilas e Clerc faz parte do esquadrão de argentinos que foi top 10.

Eles escolheram o Buenos Aires Lown Tênis Club, onde por muitos anos a Argentina usou como centro de treinamento.

Para vocês terem uma idéia,já quando eu fui morar e treinar lá em 85 o jogador que era entre os 10 ou 15 melhores do país ligava para o senhor Henry Arnold e dizia que queria treinar. Henry era encarregado de reservar e organizar as quadras. Quando o jogador não tinha parceiro conseguia um juvenil ou outro profissional, alem disso no lugar tinha um técnico sempre de prontidão no clube para ajudar nos treinos, o treinador naquela época era o Gustavo Luza. Ótimo ex jogador.

A estrutura não era nada grande, nada que impressionava, reserva de quadra, bola para treinar, organização e um técnico disponível para ajudar pago pela federação. Sabe o que acontecia?

Muitos tops do país treinando com juvenis. Isso fazia com que o intercambio de jogadores e técnicos ajudasse a melhorar o tênis de lá. Não era nada difícil ver o Mancini treinando com um juvenil na quadra 1, na 2 o Perez Roldan com outro juvenil e na outra quadra o Franco Davin contra o Horacio de la Pena. Eu tive a oportunidade de treinar uma vez lá. Meu técnico na época recebeu uma ligação do técnico do De la Pena querendo que eu treinasse com ele no dia seguinte. Foi a maior motivação que um menino de 15 anos como eu podia ter. Treinar com um top e ainda ver os outros treinando ao meu lado.

Isso era apenas uma das demonstrações de que não é necessário muito dinheiro para fazer a coisa andar. Para motivar nossos juvenis.


Voltando ao torneio, tenho varias lembranças de lá. Nunca joguei muito bem, jamais passei da segunda rodada. Lá era um lugar onde os argentinos e espanhóis sempre dominaram.

Em uma das minhas idas ao campeonato joguei contra o Gáudio, ele era outro que eu encrespava bastante em quadra. Depois de mais de 2 horas de jogo ele ganha e na entrevista dentro da quadra começa a falar que tinha sido o pior jogo da vida dele, que não dava para ganhar de ninguém entre outras coisas.

Tudo isso olhando para a minha cara. Aquela carinha de deboche. Eu irritadíssimo por ter perdido o jogo olhava para ele enquanto falava com os olhos pegando fogo. Queria comer o cérebro dele ali mesmo no meio da quadra central.

Bom, o final vocês já devem imaginar, bate boca dentro do vestiário, vários jogadores separando os dois e bola pra frente.

Como venho contando aqui vocês podem perceber que os jogadores tem lá seus desencontros, tudo muito amigável ao olhar do torcedor mas dentro da quadra e vestiário as vezes não é bem assim.





No final do vídeo tem um texto que mostra bem o que eu estou falando. numa das partes ele diz. " O sistema de competições possibilita a busca e continuidade do C.A.R( centro de alto rendimento) para respaldar(ajudar) os jovens tenistas. Uma equipe completa dirigida pelo Gustavo Luza se mantém atento a evolução de cada juvenil'
continua ... " No Cenard sob a tutela de Tony Pena outro corpo de técnicos funciona na busca de talentos em todo o país de jogadores com até 12 anos.

Para se pensar não?????

Escrito por Fernando Meligeni às 15h40 envie esta mensagem

Participação no Juca entrevista


Ontem fui entrevistado pelo Juca Kfori

O programa vai ao ar na próxima quinta-feira as 22:00h na ESPN Brasil , na entrevista muito bem comandada por ele falamos de muitos assuntos.

Todo mundo sabe que eu gosto bastante de falar, lá tive uma hora para debater vários assuntos. Falamos de Historias de circuito, ídolos, família, momento do tênis, futebol e sobre o livro...

Alguns dos assuntos já escrevi aqui, O jogo com o Coria, passagens do jogo com o RIos e falei algumas coisas que nunca tinha falado.

É um prazer quando você pode ser você numa conversa. Juca tem o dom de deixar seu entrevistado a vontade, extrair muita coisa dele e discutir com inteligência vários assuntos.

A entrevista foi muito boa

Não perca


Escrito por Fernando Meligeni às 11h52 envie esta mensagem

Que dupla maravilhosa!!!


Vinha seguindo os resultados do Brasil Open de perto.

Vi a despedida do Guga pela televisão, assisti os outros dois brasileiros em ação, e tinha muita expectativa em ver a dupla brasileira.

Depois de um ano inesquecível, resultados que poucas duplas no mundo conseguem tinham uma pressão gigante nas costas depois de três primeiras rodadas seguidas.

Chegar ao torneio em casa com essa pressão não é das cosias mais agradáveis.

Ver todos os brasileiros perderem e virar a única esperança de resultado no torneio muito menos.

Eis que eles voltaram a vencer, passaram por jogos complicados, nervosos, catimbados e conseguiram o tão sonhado titulo.

Quando li fiquei muito feliz. Esses dois mineirinhos merecem muito tudo isso que estão vivendo.

A união da experiência e com a juventude, as grandes devoluções com os sólidos saques mais uma vez estão dando resultado.

Ganhar em casa é impagável. Ter tido mundo ao seu lado torcendo por você é uma sensação demais.


Enquanto lia o resultado me lembrei do começo da carreira do André, tive a oportunidade de ser seu parceiro no primeiro titulo de duplas de sua carreira.

Estávamos acabando mais um treino e o Ricardo veio conversar comigo. Sempre tive a intenção de poder ajudar os tenistas mais jovens. Aproveitar minha condição de poder jogar torneios grandes, e ter um treinador competente ao meu lado e poder dividir isso.

Falei pro pardal que se ele quisesse poderíamos dar chance a algum jovem viajar com a gente.

Nessa manha o pardal chega perto de mim e diz, acho que encontramos um cara legal para dar aquela oportunidade que falamos no passado.


O cara é bom, tem um tênis sólido de fundo de quadra e na rede é um gato.
Fiquei animado na hora. O nome dele era André Sá

Já o conhecíamos bem e alem de todas essas qualidades ele era um cara incrível, de humor único, querido por quem o conhecia.

Nossa primeira viagem era para o Equador, lá íamos jogar o Chalenger de Salinas. Eu tinha entrado na chave principal e ele ia pro qualy.

Pedi para o pardal ligar para a organização e pedir um convite para as duplas. Queria colocar o jovem na quadra. Queria ver seu verdadeiro potencial.

Quando entramos na quadra percebi que quem ia ensinar a jogar duplas era ele. No nosso primeiro torneio pro estávamos na final contra um dupla muito dura. Johnson e Montana eram nossos adversários. Lembro bem que ele passaram o jogo inteiro jogando no tal do menino que ninguém conhecia.
Eu um mero espectador do jogo pensava, tomara que eles não percebam que o fera é ele.

Vencemos o jogo e o torneio. Aprendi muito com ele no jogo e o André foi um motivador na minha carreira. Algum tempo depois ele estava lutando pelo numero um do Brasil comigo. Inclusive tirou ele de mim por varias vezes.

Tenho muito respeito e admiração pelo seu tênis e pela pessoa que ele é.

Parabéns André, você merece esse titulo.

Parabéns Marelão

Continuem detonando...














No evento do Clube Harmonia conheci um grande profissional de caricatura, Emerson Ferrandini. Ele fez esta caricatura. o que acharam? contem para mim.

Escrito por Fernando Meligeni às 10h52 envie esta mensagem

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