Logicamente que não estou escrevendo este blog porque o Brasil tem um novo numero 1. Também não quero nem de perto colocar pressão no nosso jovem promissor.
Já vinha pensando em escrever do assunto, preocupado com o futuro do nosso esporte e sabendo que esses pequenos pensamentos tem uma importância gigante.
Quando começamos a jogar tênis sonhamos em ser bons, jogar os grandes torneios, alguns sonham em ser os melhores, outros de perfil mais baixo apenas em jogar bem o esporte que mais amam.
Ser um esportista no Brasil não é das coisas mais tranqüilas, se pula de um simples anonimato para uma pressão por resultados diários em pouco mais de um dia.
É só começar a ganhar projeção
Por um lado é meio injusto, meio pesado ou totalmente maluco. O que temos que pensar é que quando sonhamos em ser profissionais o preço é virarmos pessoas expostas.
Quando se é apenas mais um no que se faz, quanto se ganha ou perde ou quem você é, pouco importa. Agora, quando se é o número 1 é diferente.
Somos expoentes de um esporte que vive exclusivamente de resultados. Se eles não vem a coisa fica complicada e perdemos consideravelmente espaço na mídia.
Digo isso pela minha preocupação em promover nosso esporte, lembro que quando comecei a chegar perto do primeiro posto, eu comecei a viver coisas totalmente diferentes, os meios de comunicação começaram a me abordar com temas complicados, perguntas sobre política, o que achava dos outros jogadores, do futuro do nosso tênis. Nossa minha vontade era cavar um buraco na terra e desaparecer. Que medo.
No começo pensei em fazer aquelas respostas chavão. Sem conteúdo. Mas aos poucos percebi a importância em cada resposta. Eu era o número 1 do país, eu querendo ou não era o carro chefe do nosso esporte. Tinha varias responsabilidades. De uma pessoa anônima tinha virado um formador de opinião
Não vou dizer que é fácil ser isso nos dias de hoje. Mais ainda para nossos jovens jogadores. Mas fazer o que? Chegou a hora de não apenas ser bom na quadra, tem que ser bom fora também.
Uma das cosias mais importantes que vejo na postura do melhor jogador do país é o relacionamento com a imprensa com a presença nos programas de televisão falando de tênis.
Outra mais importante ainda é a maneira de atender aos fans, não adianta querer sossego, não querer ser questionado, parado na rua.
Com a parada do Guga, da minha, do Jaime do Nico Mattar os amantes do tênis vão ter que começar a conhecer nossos novos jogadores e só eles vão conseguir mostrar quem são.
Existe muita coisa legal em ser o numero 1, muita mesma. Nem pensem que vou falar em dinheiro ou fama, muito mais que isso. O prazer de ver que somos reconhecidos, que fazemos a alegria das pessoas quando ganhamos, que as crianças se interessam pelo esporte por tua causa, o prazer pessoal de saber que conseguimos e mais que tudo isso junto poder representar nosso país em varias competições.
Concordam?
Deixem seus opiniões comentários abaixo...
Escrito por Fernando Meligeni às 19h22
| envie esta mensagem
| link
Não costumo sugar coisas dos outros blogs mas desta vez me pareceu bem oportuno.
Quando falamos do Sampras ou lemos que ele deu declarações sobre tênis em algum lugar é a chance de escutar, ler alguma coisa interessante.
Ele sempre teve uma postura bem neutra e humilde, dificilmente dá declarações que possam ser repercutidas. Nunca vi no tempo em que jogou alguma critica mais pesada. Nas frases abaixo ele se soltou um pouco mais.
Ele deu entrevista a um excelente jornalista argentino chamado Martin Bonadeo e publicada no blog Fue buena.
Algumas das declarações abaixo que estão em espanhol (caso queiram que eu traduza não tem nenhum problema) me chamaram a atenção...
1 “de pequena não tinha um saque descente”. Fico imaginando o que seria um saque médio e o que ele deve ter feito de saque ao alvo para melhorar o tal pífio saque.
2 Quando ganhei meu primeiro cheque não soube onde gastar esse dinheiro. Será que ele sabe onde gastar o dinheiro que tem hoje?
3 Essa é a mais impressionante. Ele escolheria ser o Michael Jordan se não fosse o Sampras. Tenho que admitir que nas inúmeras vezes que fui pros Estados Unidos e tive a oportunidade de ler o livro dele, escutar ele falar e vê-lo jogar, EU TAMBÉM GOSTARIA DE SER.
4 Não concordo muito com a declaração que um jogador de saque e voleio sempre teria que vencer um jogador de fundo. Dependendo da quadra até posso aceitar. Na grama, no carpete. Nas outras quadras o lado físico ajuda muito o jogador de fundo. Acaba minando o jogador que precisa muito da precisão.
5 Tinha a mesma impressão, o Sampras mostrava uma postura mais vencedora nos confrontos ou melhor, clássicos com o Agassi. Era jogos incríveis. Mas por algum motivo o Agassi respeitava mais o Sampras o ao contrario.
6 Declaração forte. Mas se o homem fala eu acredito.
7 Ele esteve bem perto de conseguir o feito de ganhar tudo, até Roland Garros. Fez semi final mas pelas suas declarações mostra que em nenhum momento se sentia confortável. O grande problema eram suas escorregadas no saibro.
O que vocês acham das declarações?
Concordam?
“De chico tenía un saque decente”
“Cuando tuve mi primer gran cheque no supe en qué gastarlo, así que se lo di a mi hermano”
“Si tuviera que elegir qué gran deportista me gustaría ser, opto por Michael Jordan”
“Un jugador de saque y volea siempre debería ganarle a uno de fondo de cancha”
“En los partidos de Grand Slam, los más importantes, me sentía superior a Agassi”
“En aquél partido de los cuatro tie-breaks del US Open 2001 se vio el mejor tenis de la historia”
“Lo que hace lindo a Wimbledon es que no lo cambiaron en 100 años. No está muy sponsoreado, es muy verde, a mí me encanta. No es como el Us Open, que parece un auto de Fórmula 1″
“No crecí en polvo, no me muevo bien en esa superficie. Todavía me decepciona pensar que no pude ganar Roland Garros”
“Suena romántico jugar Wimbledon, me da curiosidad saber como me iría. Son dos semanas que siempre extrañaré”
Escrito por Fernando Meligeni às 13h30
| envie esta mensagem
| link
Vocês sabem que adoro usar as informações que vocês colocam aqui para debater.
Henin parando de jogar aos 25 anos sendo 1 do mundo. Uau, tem que ter coragem, tem que ter motivos.
Já conversamos sobre isso no blog mas sempre falando da minha parada, da do Guga, mas nunca de uma jogadora que está na crista da onda.
Pra começar a falar desse assunto tenho que tentar colocar vocês mais por dentro do dia a dia do tenista.
Se fala muito sobre o circuito, que é duro, que é longo, que é massacrante. Logicamente que tem o lado mais que positivo que é muito rentável e com uma visibilidade monstro.
Ser tenista profissional é duro, ter que ficar tanto tempo concentrado, viajando pelo mundo, quase nada em casa, sozinho na grande maioria do tempo não é tão agradável... mesmo quando se é número 1 do mundo as partes negativas são iguais. No tênis feminino é ainda mais duro. Não costumo escrever muito do assunto e aproveito para me desculpar, o circuito delas é muito mais duro que o circuito masculino.
Existe muito pouca amizade entre as jogadoras, quase nunca elas treinam entre elas e a convivência no circuito que já é difícil, entre elas é mais complicada ainda.
Quando uma Henin anuncia que vai parar algumas coisas me vem a cabeça.
Não será hora de fazer do circuito profissional de tênis mais curto? Estilo como são feitos os esportes americanos. A famosa “season”. Um exemplo começaria em fevereiro e no final de outubro acabaria. Tudo mais comprimido. Depois o tenista teria tempo 3 meses pra jogar exibição ( pra quem reclamar que não vai ganhar dinheiro nesse tempo), descansar ( com isso o tenista evitaria a sobrecarga no corpo e duraria mais), e poderia treinar mais, se preparar melhor para o ano ( com certeza o nível do esporte aumentaria).
São sugestões e muitos podem achar que eu sou maluco ou podem não concordar. Muitas vezes escutei isso nas reuniões de jogadores na Atp. Nunca passou por culpa dos torneios e dos contratos de televisão, mas um dia quem sabe as pessoas e tenistas percebam que isso pode ajudar o esporte.
Voltando a Henin e as outras ou outros jogadores que param de jogar cedo 99,9% dos casos é lesão ou cansaço do circuito. O que mais se escuta é “quero ser uma pessoa normal outra vez” ter uma vida mais caseira, amigos por perto e formar uma família.
Não sei exatamente o caso da belga mas eu como tenista e torcedor fico triste, ela para mim era a melhor de todas. A menina que eu parava na frente da tv para assistir um jogo dela.
Se for pela sua felicidade .....
Au revoir
Escrito por Fernando Meligeni às 12h52
| envie esta mensagem
| link
Que bomba
Fui treinar esta manha com o Mauro nas quadras rápidas.
Deixei meu celular para vibrar, depois de quase duas horas de treino e boas risadas fui ver se tinha alguma ligação importante. Quando olhei o telefone tomei um susto, 25 chamadas não atendidas em menos de duas horas. Pensei... Alguma coisa aconteceu, coisa boa não deve ser. Bomba na certa.
Peguei os recados morrendo de medo, o primeiro um amigo dizendo, cara, para de colocar no blog os vídeos dos teus treinos, o Sampras viu e desistiu de vir pro Brasil. Dei muita risada e fui pro próximo ( achei que era brincadeira). Um outro amigo dizendo, cara a casa caiu o “Man” não vem mais. Demorei um pouco para entender, para acreditar. Não nego que por um minuto a dor no corpo do esforço doeu um pouco mais.
Depois disso todos os recados davam a mesma informação, amigos avisando que tinham lido no Clarin, jornal Argentino que ele tinha cancelado.
Não preciso dizer o susto a tristeza que tive. Como vocês ainda não sei a versão oficial espero por uma declaração dos organizadores para saber se é verdade e se infelizmente for o que vai acontecer, por outro lado tendo sido tenista por tanto tempo sei que isso são fatalidades que acontecem, mais ainda quando o cara vem para três eventos, Chile, Argentina e Brasil e cancela todos. Se ele não vier mesmo ele machucou feio.
Ele é um cara extremamente ético, responsável e sabe a repercussão que sua não vinda pode ter.
Agora é esperar os próximos dias e a declaração do Dacio, do Pedro e do Luiz, donos do torneio.
Vamos torcer para que tenham a melhor solução possível e que o Brasil possa ter a chance de ver um fenômeno como esse jogando aqui.
clique e veja a matéria que saiu no Clarin
AQUI.
Escrito por Fernando Meligeni às 15h18
| envie esta mensagem
| link
Nos últimos tempos se criou um estado de pessimismo quando se fala do nosso futuro. Com o fim da carreira de vários dos nossos melhores jogadores de todos os tempos em pouco mais de 6 ou 7, anos a incerteza, o pessimismo e a frustração apareceu em quase todo mundo que eu falo
A frase que mais escuto nas ruas e com certeza... E agora? Temos alguém vindo?
Quando voltamos no tempo e analisamos como nossos jogadores chegaram ao seu melhor ranking percebemos que nada mudou. Não importa os resultados, o lugar que eles nasceram, nada. As coisas continuam igual.
Desde que me conheço como tenista que lutamos por mas ajuda, ou melhor, alguma ajuda. Mas esse papo já me cansou e com certeza a você também.
Voltando alguns anos atrás vemos a fase juvenil do Guga, Jaime, minha do André posso garantir que não tem nada diferente do que acontece hoje.
Escuto vários pais dizendo que dessa maneira não dá, que com essa estrutura o nossos jovens não vão chega a nenhum lugar. Concordo e não concordo.
Concordo que teríamos que ter uma estrutura melhor, que facilitaria muito a vida dos nossos jogadores, que não é tão difícil faze-la. Ao mesmo tempo não concordo porque todos os jogadores que até agora conseguiram resultados no profissional não tiveram ajuda, tiveram força para encontrar seu caminho, treinaram muito e correram atrás com o pouco dinheiro que seus pais tinham. Vocês acham que o pai do Jaime era rico? O do Guga? O meu? Não passavam de uma classe media que lutava dia a dia para ajudar a família.
Falo isso porque de uma hora pra outra quando ninguém imaginava e todo mundo estava chorando porque o tênis não ia ser o mesmo apareceu mais um menino que ninguém ajudou, ninguém falou e hoje é número 81 do mundo.
Que fique claro pra você que não está por dentro do nosso esporte, que mais uma vez um jovem chegou por seus esforços. Pela ajuda da sua família e dedicação pessoal.
Isso serve muito de motivação para os outros tenistas da mesma idade. Lembro quando o Guga ganhou Roland Garros em 97 eu já tinha minha carreira estabelecida, tinha ganho um Atp tour e bastante confiança no meu tênis. A vitória dele mostrou não só para mim como para todos os brasileiros que um brasileiro podia ganhar um grand slam, não tinha essa de bicho papão. Não importava do país que o jogador vinha ou a estrutura que tinha por trás. O tenista entrava na quadra e lá ele podia fazer coisas impossíveis. Dois anos depois lá estava eu na semi-final
Tênis é um esporte difícil, complicado e as vezes caro, mas isso não pode se transformar em desculpa para os pais de jogadores e os próprios futuros campeões. Corram atrás que vale a pena e é possível
Temos que voltar a sorrir, voltar a acreditar. Dois jogadores entre os 80 do mundo, grandes chances dos dois jogarem os jogos olímpicos e mais que isso um deles tem apenas 20 anos.
#
Falando dos resultados da semana, e não é que o Djoko levou. Ele é a grande esperança para que haja emoção na luta pelas primeiras colocações no Ranking. Em pouco tempo parece que ele vai desbancar o Nadal do segundo lugar. Ele me surpreendeu no saibro, jogando com calma, paciência, atacando na hora certa e o que mais dá prazer... ele não se intimida nem se pressiona com a s oportunidade. Ele literalmente não encolhe o braço pra fechar.
O blog anterior não serve pra ele. Hehehe
##
Outro grande resultado esta semana foi o terceiro titulo do Belucci seguido, mostra muita coisa isso. Primeiro que o nível dele já não é mais de challenger, pode, deve e vai mudar o calendário para torneios maiores. Vai sofrer é claro, vai perder mais, vai aprender, mas é lá onde o circuito afunila.
Segundo, mostrou maturidade e foco ao vencer três torneios seguidos, coisa nada fácil, méritos para ele e para seu técnico que o manteve motivado e mostrando a importância de cada jogo.
Terceiro e mais importante, os caras que ele ganhou na últimas semanas mostram que ele vem jogando bem. Verkerc, Massu, Garcia Lopes e Vassalo Arguello. Todos jogadores que adoram o saibro, com muita experiência e nível de tênis.Outra passadinha rápida queria dar pelos futures. Esta semana começa o quarto seguido. Estive em torneios assim quando comecei. Na minha época não eram futures e sim satélites.
###
Queria deixar um recado aos jogadores que jogam esses torneios. treinem duro, saiam o mais rápido desses torneios, não menosprezando esses torneios, muito pelo contrario, mas eles tem que ser torneios de passagem, lugares que ficamos pouco tempo. O verdadeiro tênis está nos torneios maiores. Treinem duro, ganhem seus pontos e assim que for possível jogar torneios maiores joguem. Quanto maior o torneio e os adversários melhor jogamos.
Joguem em Rio quente trabalhando para jogar um challenger semana que vem e Roland Garros ano que vem.
É POSSÍVEL
Escrito por Fernando Meligeni às 10h36
| envie esta mensagem
| link