Desculpem pelo título mas foi o único que consegui colocar depois do jogo Nadal e Karlovic
Quando sai a chave e você tem um gigante desse pela frente você pensa duas coisas. Primeiro, vai ter que viver um dia de goleiro. Segundo, não vai precisar mandar lavar a roupa que você usar no jogo.
Isso lógico foi uma brincadeira mas pode ter certeza que nenhum jogador do circuito gosta de jogar contra um “corta físico” desses.
Se você olhar os números você fica mais impressionado. O Karlovic deu 35 aces, não perdeu nenhum saque e mais que isso não teve nenhuma chance de quebra de serviço no Nadal
Eficiência do espanhol? Um pouco sim, mas muito mais incompetência do Croata que qualquer coisa.
Um cara que saca 35 aces coloca uma pressão muito grande no adversário, acaba ganhando seu saque sem quase nada de esforço, a única coisa que ele precisa é jogar relativamente bem alguns pontos importantes para quebrar o saque do adversário e “caixão”.
Tive experiência nesses jogos e mais que isso, é um assunto que se fala muito no vestiário, jogadores odeiam jogar com caras como ele, Morne na sua época boa, entre outros. É só sair a chave que a cara de preocupação já aparece.
Muitos me perguntam qual é a tática. Sinceramente, não existe. Se focar no teu saque e tentar devolver da melhor maneira possível o saque do grandão pode ser uma maneira de tentar minar o gigante.
Outra coisa que ajuda é colocar uma pressão no segundo saque do adversário. Ah já ia esquecendo, não fazer erros bobos nos momentos importantes. Contra eles muitas vezes você tem uma chance só.
O Nadal impressiona, mesmo numa quadra muito desconfortável ele consegue ganhar esses jogos chatos. Passa para a próxima fase e respira. Mais que isso a força mental dele é admirável. Depois de ganhar um grand slam, o cara continua focadíssimo.
Tem todos os méritos pela vitória, mas eu me pergunto como o karlovic dorme hoje a noite. Fez 35 aces, ganhou a grande maioria dos pontos que sacou ( 86%), no segundo saque (68%) um número muito alto também.
Agora, ganhou apenas (19%) dos pontos devolvendo o primeiro saque e (24%) do segundo do Nadal. Muito pouco.
Com todo respeito se ele não sacar ele pode perder de muitos leitores assíduos do blog. Não estou brincando.
Desculpem os amantes do Karlovic mas eu não gosto de ver tênis assim, pra mim isso não é tênis. Tênis é estratégia, é tática, é suor e mais que isso é trocas de bolas.
Vocês concordam?
Bom fim de semana a todos. Hoje e amanha posso não aparecer muito, tenho trabalho fora de São Paulo. Mesmo assim deixem suas opiniões que eu respondo assim que voltar.
Escrito por Fernando Meligeni às 18h17
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Estive pensando bastante sobre os comentários no blog
A galera vem mostrando muito fanatismo no Federer no Nadal e no Djokovic.
Por uma lado acho isso muito legal, vejo com bons olhos que existe hoje diferentes jogadores para quem torcer e mais que isso existe uma rivalidade.
Nem de perto queremos chegar no futebol ou coisa parecida, mas é um primeiro passo. Nunca tinha visto isso nos anos em que conheço de tênis.
Tem gente que fica claramente cega ao torcer por alguém e qualquer critica pode parecer totalmente pessoal. Outros nem terminam de ler o que se escreve contra e já mandam um arsenal de retruques. Chega a ser engraçado.
Eu nunca tive essa idolatria, um cara que eu deixasse tudo para seguir, ou pagaria qualquer dinheiro para conhecer. Que fique claro que não acho feio isso, acho até muito legal você gostar muito de alguém.
Tive meus ídolos como já escrevi aqui, Noah, Vilas, Senna, Mana, mas sempre curtindo o trabalho, muitos deles eu nem conheci pessoalmente mas nem por isso deixei de gostar muito
Há um tempo atrás lendo o blog do André Kfouri, jornalista e grande amigo que está escrevendo comigo meu livro de historias de circuito( em setembro nas bancas) ele nas entrevistas de sexta feira perguntava aos seus entrevistados com quem eles gostariam de ter a oportunidade de jantar, essa pessoa poderia estar viva ou morta, ser de qualquer profissão e o por que.
Logicamente pedi para ele permissão para fazer o mesmo e ver o que a galera tem a dizer.
Vendo que temos muitos amantes de esporte por aqui me deu vontade de conhecer um pouco mais dos meus queridos amigos.
Então preparem suas cabeças e me respondam
SE VOCÊ PUDESSE ESCOLHER TRÊS PESSOA PARA JANTAR, ELAS SENDO DE QUALQUER PROFISSÃO, VIVAS OU MORTAS, DE QUALQUER PAÍS. QUEM VOCÊ CHAMARIA?
POR QUE?
Eu adoraria conhecer o Senna, o Mandela e o farao Ramses. hahaah. Gosto não se discute.
Escrito por Fernando Meligeni às 19h38
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Para alguns a chance de fazer uma diferença, para outros três semanas que poderiam não existir ou no melhor das hipóteses poderia passar voando.
Por um lado criticar os torneios de grama é um sacrilégio no tênis, todos sabemos a real importância desses e toda a historia que eles tem.
É verdade que na grande maioria dos paises a quadra de grama não existe para jogar muito menos para treinar. aqui no Brasil então nem se fala.
Alguns amigos do blog me bombardearam pedindo que escreva sobre a curta temporada de grama, quem vai ganhar, quais as características ou até alguma coisa engraçada que tenha vivido.
Começando pelos favoritos o maior jogador nessa quadra sem dúvida nenhuma é o Federer. Seu jogo, sua agressividade e confiança são características perfeitas para vencer nela. Quando falamos dessa quadra, mesmo tendo mudado muito de alguns anos para cá, ela continua sendo rápida, desconfortável e difícil para a maioria dos jogadores.
Quando digo que deu uma melhorada, as quadras estão mais duras do que antes, as bolas estão mais lentas e o estilo dos jogadores está bem diferente. Hoje poucos são os jogadores de saque e voleio o tempo inteiro. Isso faz com que a maioria jogue lá como joga no saibro.
O que mais se vê na grama é jogador jogando de fundo e metendo a mão na bola.
Vou tentar falar sobre diferenças.
A primeira e mais complicada é que a bola pica mal, muito mal. Nos primeiros dias com a quadra ainda sem muito uso até que da uma melhorada, logicamente que por ser quase um tapete de tão perfeita a bola cada vez que toca o chão vem muito rápida e baixa. Com o passar dos dias e muitos jogos a quadra fica totalmente deformada( algo parecido a pequena área do goleiro) e ao mesmo tempo que fica mais lento por não tocar mais na grama fica difícil e começam a picar todas mal.
Para mim uma verdadeira odisséia.
Na época que eu jogava preferia ficar descansando na gira de grama, vinha de 10, 12 semana seguidas no saibro, muitas vezes fazendo muitos jogos, pulava a grama e voltava depois de Wimbledon. Não vou dizer que tenho certeza que fazia a coisa certa. Pode ser que foi trauma da minha estréia no torneio londrino quando no primeiro jogo na grama tive o prazer, azar, sorte, desespero de jogar contra o Ivanisevic na quadra 1, ou até um pouco de rebeldia por ter sido meio mal tratado na primeira vez que joguei lá. Lembro que fui pegar bolas pro treino e a mulher que entregava as bolinhas me deu um sermão. “ Com essa roupa você não pode treinar ( muito colorida), você não pode falar palavrão, se começar a pingar tem que sair da quadra porque danifica a mesma” isso e mais algumas coisas. Lembro que com minha jovem idade perguntei. Posso fazer alguma coisa?
Fiquei alguns anos pensando se valia a pena descansar porque claramente meu jogo não se adaptava na grama e eu me sentia um saco de pancada. Quando decidi que era bom ter essa pausa, relaxei.
Hoje não tenho tanta certeza, as vezes vem na minha cabeça que tinha que ter encarado com mais força o desafio, mas isso faz parte, na carreira você acerta e erra muitas vezes. Não acho que fui melhor ou pior por ter tido essa decisão.
Voltando as minhas participações na grama, acho que joguei 4 anos lá. Esse primeiro que foi um fiasco, perdendo três sets a zero, outro ano que perdi pro maior dos meus “pais no circuito”, Jiri Novac, no outro derrota para o Johansson e logicamente não podia sair de lá sem uma vitória, na última aparição por terras londrinas vitória no Coria e derrota na segunda rodada pro Massu. Bem fraquinha minha historia na grama.
Como vocês podem ver não tenho muito pra contar dessa superfície. Hoje é bem mais fácil analisar de fora do que era de dentro dela.
Com todo respeito espero que passem logo as três semanas. Respeito mas não gosto de ver tênis na grama. Admiro quem ganha mas não acho que seja um diferencial. Essa é minha humilde opinião e por favor não me venham dizer que lá estou eu falando mal do Federer outra vez.
Escrito por Fernando Meligeni às 10h25
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Game, set match e meu celular começou a tocar
Primeiro amigo me liga e diz. E ai fino, mudou a lista dos melhores de todos os anos no saibro?
Alguns minutos se passaram e outro amigo me mandou uma mensagem. Quero só ver o próximo blog. Nadal o melhor?
O que dizer, acordei cedo esperando um jogão, um jogo longo com chances para os dois lados, mas não foi isso que vimos...
Sem palavras, sem comentários, perplexo, estarrecido. Tudo isso é pouco para tentar dizer como fiquei hoje.
Tinha colocado que o Nadal havia dado uma escovada no Djoko, hoje então, ele arrebentou o Federer
O que vimos em quadra foi uma aula de tênis no saibro. Não me venham dizer que o Federer estava apático, que ele jogou mal, estava cansado. Ele foi superado em todos os sentidos. Tecnicamente, fisicamente,taticamente, atitude e confiança.
Desde o primeiro game se viu uma diferença gigante entre os dois. Parecia que pela primeira vez o espanhol ia esquecer quem tinha na frente e jogar seu jogo. Dava a impressão que ele não ia respeitar.
O primeiro set foi muito tranqüilo, muito fácil. Quebra no primeiro game, um pouco de nervosismo no segundo e dali pra frente um passeio. Ficava a impressão que a bola do Nadal pesava o dobro que a do Federer. Tudo que o Suíço tentava ( e foi bem pouco). A famosa cruzada na esquerda do Roger cada ponto doía mais.
O segundo set foi o mais interessante, mas mesmo assim o jogo em todo momento esteve controlado. Em nenhum momento vi uma preocupação na cara do espanhol. Sabe aquele pensamento: Po, se eu perder esse game a coisa pode complicar.... quem mandava no ponto, na velocidade do jogo era sempre o Nadal
O terceiro prefiro nem comentar. 6/0 numa quadra central de Roland Garros, contra o 1 do mundo e na final. Quem poderia imaginar isso.
Algumas cosias podem mudar a partir de hoje. Não canso de escutar o Nadal declarar que o Federer é o maior de todos, que não é hora ainda de conseguir tirar o primeiro lugar dele, que ele é o melhor segundo do mundo da história.
Acho que hoje os pensamentos do espanhol vão começar a ir mais alem. Vão começar a entender que não existe ninguém imbatível, que ele pode SIM, ser o número 1 do mundo. Esse jogo pode mudar bastante os confrontos deles nas outras quaras.
O tenista não é tão robotizado. Toma ma surra dessa na final de RG e acha que foi por culpa do saibro. Já faz tempo que o suíço sabe que a diferença entre eles está diminuindo, e não digo de pontos. Ou o Federer encontra motivação para jogar melhor do que está jogando ou ele será “jantado” pelo Nadal
O que ele fez este ano em Paris está acima de qualquer previsão ou normalidade. Ele passeou e ganhou sem perder nenhum set do 1 e do 3 do mundo.
Com todo o mérito, com toda a humildade digo que mudo minha lista. Ele é o primeiro. rs
Agora é esperar mais alguns anos para ele bater o maior de todos. Bjorn Borg, e se transformar o melhor jogador de saibro que já existiu na historia do nosso esporte. E da maneira que as coisas estão indo. Não vai demorar muito não.
Escrito por Fernando Meligeni às 13h16
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