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Começou o Qualy do US Open, confira o vídeo

Ontem começou o Qualy do US Open

Último grand slam do ano. Muita expectativa e com certeza ótimo tênis.

Lá em Nova York é um lugar delicioso de jogar.

É verdade que a quadra muitas vezes é um pouco rápida e o torneio barulhento, muitos tenistas reclamam disso. Eu acho um torneio incrível.

A estrutura, a quadra central e a paixão do americano elo torneio faz que esse campeonato vire uma grande atração.

Uma coisa muito interessante é o Kids Day que acontece sempre no fim de semana antes do torneio. Vários jogadores participam, muitas ações viram dinheiro que é repassado para as instituições de caridade e novos equipamentos, assessórios são colocados em uso. Um grande festival.

Outro detalhe interessante que faz os jogadores adorarem o torneio é o lado cultural da cidade. Ficamos hospedados em Manhattan, bem próximo das casas de espetáculo, dos teatros e do Madison Square Garden. Entre um jogo e outro um Fantasma da Opera, Cats, Miss Saigon ou um show não faz mal a ninguém.

voltando ao torneio ontem começou o qualy. Dos jogadores que tentam se classificar apenas o Ricardo Mello( que já foi eliminado) e o Thiago Alves( que ganhou hoje) tiveram a oportunidade de jogar na chave principal. O outros, Ricardo Hocevar( ganhou na estréia), feijão e Miele (perderam hoje) sonham ou sonhavam com a chance de se classificar.

O qualy é um torneio a parte, muita pressão tem nele. Vocês sabiam que se você perde no qualy não pode entrar no clube na segunda feira para assistir os jogos? É isso aí. Se você classifica vira um dos 128 jogadores que tem todas as regalias do torneio, se você perde..... meu deus. Se sente um intruso.

Eu classifiquei no primeiro ano que fui, acho que fiquei mais feliz por saber que podia entrar no torneio e ser tratado como tenista na segunda feira do que até pelo dinheiro que ia ganhar por jogar ou a chance de ir longe na semana.

No vídeo que coloquei aqui contei um pouquinho da minha primeira ida pro US Open, espero que gostem.



Galera foi mal, fui no dentista hoje e minha boca está meio anestesiada. Não vale tirar sarro da linda articulação do menino.

Escrito por Fernando Meligeni às 18h45 envie esta mensagem

Entrevista no blog OS Geraldinos


Fiz uma entrevista no belo blog Os geraldinos. Achei muito bacana e pensei em colocar aqui pra vocês. Falamos muito sobre o tênis, Davis, Fãs...


Aqui a integra da entrevista



Não sou dos que têm qualquer ódio por argentinos. No entanto, sou a favor da rivalidade nas quadras, campos e discursos esportivos por aí. Não nego que é raríssimo encontrar motivos para torcer pelos “hermanos”.

Hoje, Na Geral, o argentino que me fez mais vezes parar na frente da Tv e torcer como um louco. O cara que é a combinação perfeita dos dois países, o argentino mais brasileiro que tenho notícia: Fernando Meligeni.

Em tempos em que Guga conquistava o mundo, para todos que acompanhavam tênis comigo, o Fininho conquistava corações e olhos atentos.

Tudo por causa de uma imensa vontade de ganhar, de fazer o máximo e, principalmente, de defender as cores do país que ele escolheu defender: o Brasil.

Agora, tive a oportunidade de ter um pouco mais de contato com um cara que é um ídolo. Daqueles caras que te ensinam a encarar os mais diferentes desafios e rir na cara do perigo.

Todo esse bom humor e simpatia se estende à toda a sua vida. A prova disso foi a divertida e direta entrevista que se segue. Valeu Fininho!

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Geraldinos: Fernando meligeni é hoje um ex-tenista ou um blogueiro?
Fernando Meligeni: Acho que os dois, sempre serei tenista e cada dia me sinto mais blogueiro.

G: Qual o momento mais marcante da sua carreira?
FM: Com certeza o Pan e o meu casamento no ano passado.

G: E o pior momento?
FM: Nossa, acho que cada vez que andamos em direção ao vestiário depois de uma derrota. Por sorte não tive muitos momentos para esquecer fora da quadra.

G: Certa vez, numa entrevista para Os Geraldinos, o Robert Scheidt disse que o melhor momento dele como torcedor tinha sido na sua final do Pan de Santo Domingo, contra o Marcelo Rios. Ele alguma vez já te falou isso? Como é ter um dos maiores ídolos do nosso esporte como um fã seu?
FM: Ele, além de ser um grande amigo, é um grande torcedor. Um exemplo de pessoa. Ele no Pan me deu muita força e me fez acreditar que podia vencer. Sou muto grato e tenho muito prazer de ter um amigo e torcedor como ele

G: Você é conhecido pelo seu bom humor em quadra. Até que ponto isso tira o foco de uma partida?
FM: Pouco, acho que tira mais do adversário. Serve para desfocar a galera.

G: Qual a graça do tênis para você?
FM: Nossa, acho que não tem vida sem tênis, sem ver o cara do outro lado puto, suado e com cara de medo. Isso é vida para mim.

G: Quem o maior jogador que você já viu jogar?
FM: Sampras

G: Quem é o melhor contra quem você jogou?
FM: Sampras

G: Todas as pessoas que não vivem o tênis brincam dizendo que “ah, como eu gostaria de ganhar um monte de dinheiro para viajar o mundo”. Que vantagens a vida de tenista traz? E que desvantagens?
FM: Eles provavelmente não comeram a comida da Eslováquia ou dormiram em Bratislava ou Prostejov. Tambem não jogaram tênis no Uzbequistão. O lado bom todo mundo quer.

G: Você se considera ainda argentino?
FM: Nunca vou deixar o lado argentino na minha vida, acho uma bobeira essa briguinha entre Argentina e Brasil. Eu amo o Brasil e aqui vou ficar pro resto da minha vida, mas tenho familia e carinho por lá também.

G: Sofreu algum tipo de desconfiança por não ser brasileiro de nascença?
FM: Principalmente no começo quando perdia. Adoravam me chamar de argentino.

G: Você se tornou depois do fim da carreira em um blogueiro. Como você encarou esta mudança?
FM: Eu adoro contar para as pessoas o que é o mundo do tênis. Achei uma maneira engraçada e descontraída de fazer isso. Depois, veio a vontade de escrever um livro sobre o mesmo assunto.

G: Você se sente mais perto do seus fãs? Qual a diferença de relacionamento agora para o que era antes?
FM: Acho que eles me conhecem ainda mais agora. Sabem o que fiz, o que penso, tudo contado por mim e não por outras pessoas. Além disso sabem o que eu acho do nosso esporte.

G: Quem acompanha seu blog, percebe que você adora inovar, tenta sempre encontrar novas formas de divertir/entreter os seus leitores. Você é um apaixonado por tecnologia?
FM: Não, entendo bem pouco. Eu faço inventando. Tentando coisas novas. Apanho muito desse objeto que estou escrevendo. Como tudo na vida aprendo fazendo. Foi assim com as línguas e agora com tecnologia.

G: O que é mais difícil, ganhar uma partida de tênis contra um adversário mais bem ranqueado ou manter a atenção do público no blog?
FM: O blog, o adversário é menos exigente. Eheeheh. Eu adoro ser colocado à prova. Mais ainda que eu fugi da escola e de vez em quando dou umas escorregadas nos textos. Mesmo assim vou com tudo sem medo de errar.

G: O que você imagina do seu futuro?
FM: Feliz, com muitos filhos, curtindo minha esposa e escrevendo um monte de besteira no blog do ex fininho e agora meio fora de peso.

G: Como fazer o tênis ser um esporte mais popular? Isso é possível?
FM: Difícil, tentamos todos os dias. Mas está difícil. Não apenas os jogadores têm que querer.

G: Há como melhorar o esporte no Brasil?
FM: Sim, com certeza, nossos dirigentes têm que querer ser um país de ponta. Sem ajuda somos, com ajuda colocamos Cuba, Rússia e até China no bolso. Nossos atletas são muito bons, com nada de ajuda temos muitosssss campeões mundiais.

G: Você já foi capitão do time na Copa Davis. Como foi esta experiência?
FM: Nossa, difícil, eu não nasci para ser político e fazer política, tentei levar o lado técnico até onde eu pude, quando percebi que não era apenas ser técnico e tinha que fazer algumas coisas que não acreditava preferi sair. Foi uma linda experiência.

G: Voltaria a ser técnico? Com o atual comando da CBT?
FM: Não, nada contra a CBT, apenas neste momento não é minha prioridade, teriam que mudar muitas coisas. Pensar diferente a respeito de como encarar a Davis, os métodos e a importância.

G: Qual a diferença de jogar uma Davis para um campeonato individual?
FM: Muita, na Davis você é o país, não tem apenas teu nome, tem muita pressão, tem jogador que nasceu para ser jogador de Davis. Outros se escondem. O papel do técnico é tentar fazer esse cara jogar ou convocar outro.

G: Você se considera bem sucedido?
FM: Sou feliz, realizado e tenho o que sempre sonhei. Se isso é ser bem sucedido, eu sou.

G: Gostaria de ter conquistado algo mais? O quê?
FM: Filhos. Tô trabalhando para isso. Ehehe

G: Você poderia se definir (pessoal e profissionalmente) em apenas uma frase?
FM: O Fino vai até o fim e luta pelo que sonha.

Escrito por Fernando Meligeni às 13h12 envie esta mensagem

O lado mental do nossos atletas

Nos últimos dias o fator psicológico vem pipocando bastante nos noticiários e comentários dos blogs

Muitos estão comentando que nossos atletas não estão agüentando a pressão, que não existe uma preparação boa para eles e mais um monte de coisas.

Esse é um assunto bastante complexo e delicado. O lado mental do esporte sempre foi uma coisa difícil de entender, explicar ou simplesmente falar.

Não é por acaso que temos em um país tão grande tão poucos profissionais da área de psicologia esportiva. Quantos nomes desses profissionais te vem a cabeça agora. 2, 3? Não mais que isso, né?

Entender a cabeça do homem e mulher sempre foi um grande desafio, coloque nisso o lado esportivo, a pressão de ganhar e perder, o dinheiro, a fama e tenta entender... Bem complicado.

Que os jogos despertam uma pressão muito grande todos sabem, é verdade também que são poucos os atletas que tem condição de aguentar tanta gente torcendo, opinando e torcendo com você.

Eu tenho uma tese, não sei se será aceita por vocês, mas como gosto de colocar as coisas para serem discutidas.... Vamos lá

Quando li o comentário do Michel ontem fiquei pensando um pouco sobre tudo que ele escreveu e mais ainda, sobre as coisas que vem se falando.

Temos vários campeões mundiais que não estão conseguindo repetir o titulo nas olimpíadas. Por que?

Uma coisa que fico pensando é na maneira que nossos atletas encaram as olimpíadas. Para a grande maioria, tirando, Futebol, Tênis, Basquete e vôlei que são esportes profissionais ao meu ver, o resto tem nos jogos a chance de se manter dignamente com uma estrutura, alguns com uns trocados e muitos com o dinheiro para sobreviver. Colocaria uma lista de 50 esportes...

Muitos comentam. Po, olha o Phelps... você já imaginou a estrutura anual que ele tem e não de meses antes dos jogos que nós temos? Você imagina a tranqüilidade que ele tem para competir...

Deixa eu tentar me explicar melhor

No Brasil 90% dos nossos atletas são patrocinados e dependem totalmente do resultado das olimpíadas para renovar por mais 1,2 ou 4 anos seu contrato. Se ele não for bem sabe que a grande maioria dos patrocinadores não estará com ele na segunda feira após os jogos e ele terá muita dificuldade de continuar a ser um atleta. Sem falar na grande maioria que além de atleta tem outra profissão para se manter na ativa.

Você acha que a grande maioria dos outros países são assim? NÃO. Quando queremos comparar os campeões mundiais dos outros países, nos deparamos na primeira curva na estrutura, nos patrocínios e na tranqüilidade que um pouco de dinheiro traz.

Não é um desculpa de perdedor, nem tenho porque ficar tentando defender pessoas ou resultados. Quando nossos dirigentes dizem. Investimos uma grana nesse esporte, nem tudo, ops, pouco foi para a estrutura do jogador.

Enquanto o adversário do brasileiro vai para os jogos como uma competição muito importante e mais nada do que isso, o brasileiro vai com a pressão de um monte de coisa que faz ele cair no salto, a vara desaparecer, errar o soco ou tomar um ippon.

No nível de cima, de elite do esporte um pequeno detalhe faz você ser campeão ou perder na segunda luta.

Nossos atletas já cansaram de mostrar que são bons, que são campeões mundiais, que são respeitados por todos os adversários.

Está na hora de serem mais respeitados por nossos dirigentes. Terem melhor estrutura. Com isso vão entrar na competição apenas pensando no resultado que vão ter. Não pensarão nas conseqüências de uma derrota. Isso o atleta está acostumado a conviver. O que não está é não poder seguir fazendo o que mais ama por falta de incentivo ou dinheiro.

Frase que escutei minha vida inteira nas Olimpíadas e Pan.

Que sorte que os dirigentes brasileiros não investem como nos outros países. Se eles tem todos esses grandes atletas com tão pouco. Imaginem com mais ajuda, melhores estruturas e mais tranqüilidade para se dedicar apenas no objetivo final. O Ouro....

O lado psicológico ficaria muito mais leve, teríamos atletas ganhando, tremendo, caindo e tirando 10. Teríamos a clara idéia de quem é bom, quem agüenta a pressão.

Podem falar o que quiserem, ser atleta no Brasil é digno de estátua em cada esquina.

Escrito por Fernando Meligeni às 16h06 envie esta mensagem

Vendo a final do tênis e lamentando pelo Diego

Acordei cedo para ver o jogo, não poderei ficar até o final porque tenho uma clinica aqui em Riberão Preto daqui a pouco.

Mais uma apresentação de gala do espanhol. Mesmo tendo toda a pressão nas costas ele vem mostrando que não tem pra ninguém.

Tenho que reconhecer que acreditava que o González tinha suas chances, que se entrasse forte com agressividade e a direita estivesse afiada...

Nada disso é páreo para Nadal. Ele chega em tudo e mais que isso, tem uma força mental nessas horas de pressão que impressiona. O lado esquerdo do chileno faz muita diferença, toda hora que o Nadal achava lá acabava o ponto.

Só um milagre faz o Nadal perder a medalha, e temos que ser justos, ele merece muito o título




Entre uma direita winner na paralela e na cruzada vi a apresentação do Diego Hipólito. Deu muita dor no coração. Tanto esforço, tanto treino, tanta concentração e tudo acabou por um pequeno erro. Ele vinha para o Ouro e algo deu errado. Fica aqui minha parcela de solidariedade e força para esse grande campeão. Foi duro ver a entrevista dele depois da queda. Mostrou que queria muito, muito mesmo a vitória. Dias difíceis virão, muita tristeza, mas tenho certeza que ele vai dar a volta por cima. Força Diego.

Escrito por Fernando Meligeni às 08h36 envie esta mensagem

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